Bem Vindo!!!

Parábolas e Fábulas são contadas de geração em geração e tem como atributo principal fazer-nos refletir sobre nossas atitudes e comportamentos.



Em sua maioria trazem, em seu conteúdo, lições de moral relacionadas ao comportamento humano com o próximo.



O objetivo deste blog é divulgar as muitas parábolas e fábulas contadas pelo mundo, bem como colaborar para que nos tornemos mais sábios e preparados para encarar a vida e seus desafios.



Boa Leitura!!!



segunda-feira, 3 de março de 2014

Um casal de jovens

Um casal de jovens recém-casados era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior.
Um dia o marido fez a seguinte proposta a esposa:
Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável.
Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa: Que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você. Assim sendo o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajuda-lo em sua fazenda.
O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito.
O pacto seria o seguinte:
—     Deixe-me trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir o Senhor me dispensa das minhas obrigações.
—     Eu não quero receber o meu salário. Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora.
—     No dia seguinte em que eu sair o Senhor me dê o dinheiro e eu sigo o meu caminho.
Tudo Combinado. Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.
Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse:
—     Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.
O Patrão então lhe respondeu:
—     Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem?
—     Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai embora.
—     Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro.
—     Vá para seu quarto, pense e depois me dê à resposta.
Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:
—     Quero os três conselhos.
O Patrão novamente frisou:
— Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro.
E o empregado respondeu:
—     Quero os conselhos.
O patrão então falou:
—  01) Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar sua vida;
—     02) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade pode ser mortal;
—     03) Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.
Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:
—     Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.
O homem então seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava. Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
—     Para onde você vai?
—   Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada.
—      Rapaz este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que você chega em poucos dias.
O rapaz contente começou a seguir pelo atalho, quando se lembrou do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal. Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada.
Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se. Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta lembrou do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu. Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou. Se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido.
O hospedeiro disse:
—     E você não ficou curioso? Ele disse que não. No que o hospedeiro respondeu:
—     Você é o primeiro hospede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura, grita durante a noite e quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal.
O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites da caminhada... Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos.
Quando via aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu correr de encontro aos dois e matá-los sem piedade. Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou do terceiro conselho. Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão.
Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse:
—     Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela.
Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraçou afetuosamente. Ele tenta afasta-la, mas não consegue.
Então com lágrimas nos olhos, lhe diz:
—     Eu fui fiel a você e você me traiu...
Ela espantada lhe responde:
—     Como? Eu nunca te traí, esperei durante esses vinte anos.
Ele então perguntou:
—     E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer? E ela disse:
—     Aquele homem é nosso filho.
—    Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade.
Então o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho e contou-lhes todo sua história, enquanto a esposa preparava o café.
Sentaram-se para tomar e comer juntos o último pão. Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação.
Muitas vezes achamos que o atalho “queima etapas” e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade...
Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará...

Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...